Lipedema: o tratamento clínico existe e faz toda a diferença

O que é o lipedema e sua dimensão no Brasil e no mundo

O lipedema é uma doença crônica, progressiva e ainda pouco reconhecida, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, principalmente nos membros inferiores, poupando mãos e pés. Essa gordura apresenta consistência aumentada e resistência à perda de peso mesmo com dieta e exercício físico, sendo acompanhada de dor, sensação de peso e formação frequente de hematomas.

Embora o lipedema tenha sido descrito pela primeira vez em 1940, ele ainda é subdiagnosticado e muitas vezes confundido com obesidade ou linfedema. Estima-se que a doença acometa cerca de 11% das mulheres em todo o mundo, segundo alguns estudos europeus. No Brasil, os números exatos ainda são desconhecidos, mas acredita-se que a prevalência seja semelhante, já que os fatores de risco e o perfil populacional são compatíveis.

Mas afinal o que leva ao Lipedema ?

A ocorrência do lipedema envolve um conjunto complexo de alterações que vão além do simples acúmulo de gordura, sendo uma doença crônica, ou seja que não possui cura, apenas controle.

A doença começa com um desbalanço na deposição de tecido adiposo, que ocorre de forma desproporcional e simétrica nos membros inferiores (em alguns casos, também nos braços). Essa deposição anormal é mediada por fatores hormonais, principalmente o estrogênio, o que explica a incidência em mulheres e sua piora em momentos de alteração hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa.

A gordura acumulada no lipedema não é a mesma gordura normal. Ela é rígida e resistente, o que significa que as células adiposas sofrem alterações estruturais e passam a produzir substâncias inflamatórias. Essa inflamação crônica de baixo grau gera um ambiente propício à retenção de líquido no tecido e ao aumento da permeabilidade dos vasos.

Outro ponto importante é a fragilidade dos pequenos vasos da circulação . Os pequenos vasos sanguíneos (capilares) ficam mais frágeis e permeáveis, facilitando a formação de equimoses, manchas roxas, e aumentando a tendência a inchaço. Esse inchaço, inicialmente discreto, piora ao longo do dia e alivia com repouso, mas com a progressão da doença, pode se tornar permanente.

Tipos de apresentações da doença: 5 padrões clínicos distintos

Com o tempo, as alterações estruturais do tecido adiposo e a inflamação constante podem intensificando-se, sobrecarregando o sistema linfático, levando a um quadro secundário de linfedema, chamado de lipo-linfedema.

Os 4 graus do lipedema ilustram como a doença evolui, do acúmulo inicial de gordura até as deformidades e limitações funcionais. Reconhecer esses estágios é essencial para planejar o tratamento certo.

E o diagnóstico…

O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Ele se baseia no reconhecimento cuidadoso das manifestações típicas da doença: acúmulo desproporcional de gordura nos membros, dor, sensação de peso, inchaço que piora ao longo do dia e a presença de hematomas espontâneos. Esses sinais, associados ao histórico de evolução progressiva e à falta de resposta a dietas e exercícios, são fundamentais para identificar o lipedema.

Para auxiliar no diagnóstico, foi desenvolvido o questionário de Amato, uma ferramenta validada que reúne perguntas direcionadas para confirmar a suspeita clínica. Ele avalia aspectos como dor, presença de inchaço, facilidade de formar hematomas e outras características importantes, oferecendo uma pontuação que ajuda a orientar a conduta.

Embora seja o exame clínico que define o diagnóstico, alguns exames complementares podem ser utilizados para excluir outras doenças e acompanhar a evolução do quadro. O ultrassom com Doppler pode ajudar a avaliar a integridade do sistema venoso e a presença de alterações linfáticas. A tomografia computadorizada ou a ressonância magnética podem ser úteis para analisar a distribuição da gordura e descartar outras condições.

O exame de composição corporal (DEXA / DXA) para diagnóstico do lipedema fornece uma análise detalhada da composição corporal, ajudando a avaliar a distribuição e quantidade de tecido adiposo. As imagens são coletadas por um scanner e processadas por um software que calcula a composição corporal, incluindo distribuição de gordura e densidade óssea.

Cintilografia com Dexa

No contexto do lipedema, o exame DEXA se mostra eficaz principalmente na diferenciação entre massa gorda, massa magra e densidade óssea, oferecendo uma análise detalhada que pode ser útil para fechar um diagnóstico e na adoção das melhores opções de tratamento para doença.

Tratamento clínico: a base para controlar e viver melhor com o lipedema

Muito se fala sobre o tratamento cirúrgico do lipedema, especialmente a lipoaspiração, que pode oferecer resultados significativos para as pacientes. Mas o que muitas vezes passa despercebido é que o tratamento clínico é tão importante quanto a cirurgia. Ele não só prepara o corpo e otimiza os resultados cirúrgicos, como também, em muitos casos, consegue controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas de forma expressiva

Agora que já entendemos melhor sobre o que causa o Lipedema e seu quadro clínico, para quem quiser se aprofundar ainda mais, estou preparando uma série de posts especiais aqui no blog, cada um dedicado a um dos cinco pilares fundamentais do tratamento clínico do lipedema.

Você vai entender de forma prática e acessível como o suporte nutricional pode desinflamar o corpo e reduzir sintomas; como a fisioterapia especializada alivia a dor e melhora a mobilidade; como o sistema de compressão ajuda a controlar o inchaço e a sensação de peso; como os exercícios físicos adaptados mantêm a força e a vitalidade sem agredir as articulações; tratamento medicamentoso complementar pode seu um fiel aliado e como o apoio psicológico e a troca de experiências em grupos podem transformar a relação com a doença.

Você que é portadora de Lipedema e, quer descobrir como comer melhor, quais exercícios são seguros, quais medicamentos podem ajudar, e tudo mais que vai te dar qualidade de vida? Então acompanhe essa série e participe!

E lembre-se: seja para você que não deseja se submeter à cirurgia, para quem não tem indicação de cirurgia no momento ou para quem pretende fazer a cirurgia, mas quer se preparar da melhor forma possível, esse conteúdo é para você.

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Eu vou responder nos próximos posts; comente também no CHAT que está na página de abertura do site, e juntos vamos construir um espaço de troca, aprendizado e apoio.

Então, eu espero a sua pergunta — porque acredite: nós podemos ajudar você.

Essa é uma das iniciativas do Movimento Lipedema RN, um projeto idealizado por mim para estruturar um grupo multiprofissional e oferecer atendimento completo a pacientes portadoras de lipedema aqui no nosso estado.

É um sonho que começa a se construir, e que só será possível com você ao nosso lado!

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