Cirurgia das Mamas

“As mamas não são apenas estruturas anatômicas — são símbolos de identidade, feminilidade e autoestima. E quando elas mudam, carregam junto uma história que também pode ser reconstruída.”

 

Cirurgia das Mamas

   As cirurgias de mama ocupam, há anos, o topo dos procedimentos estéticos mais realizados no mundo. Segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mais de 2 milhões de cirurgias mamárias são realizadas anualmente, entre aumentos, reduções e correções da flacidez — o que demonstra não só a frequência, mas a relevância dessa área dentro da cirurgia plástica.

     Esses números refletem mais do que uma busca estética. Cada cirurgia carrega consigo uma história: seja o desejo de recuperar a autoestima após a maternidade, aliviar desconfortos físicos causados pelo peso das mamas, ou simplesmente alinhar a imagem refletida no espelho com aquilo que se sente por dentro.

      A mama, por sua função simbólica e fisiológica, é uma região profundamente ligada à identidade e ao bem-estar da mulher. E por isso, a abordagem cirúrgica nessa área exige mais do que técnica: exige escuta, personalização e respeito à individualidade de cada paciente.

Ao longo dos anos, diversas técnicas foram desenvolvidas e refinadas, com o objetivo de oferecer resultados mais naturais, cicatrizes mais discretas e maior segurança. Hoje, a cirurgia de mama é um campo dinâmico, com múltiplas possibilidades e abordagens adaptadas a diferentes tipos de mama, biotipos e expectativas.

A Mama e Sua Estrutura

A mama é uma estrutura dinâmica. Ela não é estática, nem imutável. Pelo contrário: acompanha as fases da vida da mulher, sofrendo alterações ao longo do tempo, influenciada por fatores hormonais, metabólicos e até emocionais. Entender essa dinâmica é fundamental para compreender as transformações do corpo feminino e os motivos que levam tantas mulheres a buscarem cirurgias mamárias.om a redução brusca de gordura corporal, a pele — que foi progressivamente distendida durante anos de sobrepeso — não consegue acompanhar a retração volumétrica, perdendo elasticidade e ficando em excesso, flácida e de má qualidade. 

    Em sua composição básica, a mama é formada por aproximadamente 40% de tecido glandular e 60% de gordura. Essa proporção, no entanto, não é fixa: varia de mulher para mulher e se modifica conforme a idade, o ciclo hormonal e o peso corporal. Há mamas mais densas, com predominância glandular, e outras mais macias, com maior presença de gordura. Essas diferenças individuais ajudam a explicar por que cada mama reage de um jeito distinto ao longo da vida.

 

 

 Sua sustentação natural é garantida pelos chamados ligamentos de Cooper, que funcionam como fios internos responsáveis por manter a mama firme e posicionada. Mas esses fios não são inquebráveis.

      Com o passar dos anos — e especialmente em contextos de ganho de peso, variações hormonais ou sobrecarga de volume — esses ligamentos sofrem distensão. A estrutura cede. A mama começa, pouco a pouco, a se transformar.ediante essas alterações — principalmente a flacidez acentuada — ocorre uma desconfiguração importante do contorno corporal, afetando os membros, o tronco e as mamas, tanto em mulheres quanto em homens.

     Essas mudanças impactam diretamente a qualidade de vida e a autoestima, sendo justamente o que leva muitos pacientes a buscar a cirurgia reparadora como o último passo do processo de emagrecimento,

 

Na Gravidez

Há um crescimento intenso da glândula mamária, como parte do preparo do corpo para a amamentação. A mama incha, aumenta de peso, se torna mais densa. No entanto, a pele nem sempre consegue acompanhar essa expansão. O que se vê, ao final do processo, é uma sobra de pele e uma perda do contorno natural da mama. A mulher percebe que algo mudou — e, muitas vezes, essa mudança impacta diretamente sua autoestima.

Ganho ou Perda de Peso

O tecido adiposo da mama aumenta, estica a pele, tensiona os ligamentos. E quando essa mulher emagrece, o que fica é uma mama flácida, sem firmeza, esvaziada — como se algo tivesse sido perdido no caminho.

No Envelhecimento

A glândula mamária vai, aos poucos, sendo substituída por gordura. É um fenômeno fisiológico, esperado, mas que nem por isso é menos impactante. A mama perde volume, perde turgor, perde elasticidade. É a chamada deflação mamária: quando a estrutura parece murchar, como um balão esvaziando.

Alterações na estrutura da mama

 

O resultado final de tudo isso é perceptível no espelho: o formato da mama muda. Ela pode cair, perder o volume, ficar assimétrica. E mais do que uma mudança física, muitas vezes ocorre um rompimento simbólico — a mulher já não se reconhece. Sua imagem corporal foi alterada. Seu vínculo com a própria feminilidade, abalado. E é justamente nesse ponto que a cirurgia plástica pode atuar, não apenas como um procedimento técnico, mas como uma ferramenta de reconstrução da identidade, da autoestima, do amor-próprio.




Tipos de mamas

Quando uma paciente busca atendimento por insatisfação com suas mamas — seja estética ou funcional —, o processo de avaliação deve ser cuidadoso, técnico e empático. A consulta se inicia com uma anamnese completa, onde investigamos queixas específicas, histórico de gestações, amamentação, ganho ou perda ponderal, e eventuais alterações percebidas desde a puberdade. Todos esses elementos ajudam a contextualizar a condição atual da mama.

A Primeira Consulta

A partir de tudo que foi discutido até aqui, podemos concluir que existem diferentes padrões mamários — e que cada um deles exige uma abordagem específica. Nem toda mama flácida é ptótica, nem toda mama pequena é atrófica, e nem toda mama grande é saudável. O corpo feminino é plural, e a mama, em especial, é um reflexo direto da história corporal de cada mulher.eender esses padrões é essencial para uma avaliação adequada. Cada caso é único — e a cirurgia mamária deve ser pensada não apenas como uma busca por um ideal, mas como uma ferramenta de alinhamento entre a forma e a identidade da mulher. Quando o espelho não traduz mais quem ela é, a reconstrução estética se torna, também, um ato de reconexão emocional.

 

História Clínica

Quando uma paciente busca atendimento por insatisfação com suas mamas — seja estética ou funcional —, o processo de avaliação deve ser cuidadoso, técnico e empático. A consulta se inicia com uma anamnese completa, onde investigamos queixas específicas, histórico de gestações, amamentação, ganho ou perda ponderal, e eventuais alterações percebidas desde a puberdade. Todos esses elementos ajudam a contextualizar a condição atual da mama.

Exame Físico

O exame físico é detalhado. Avaliamos simetria, posicionamento das aréolas, qualidade da pele, grau de flacidez e proporção entre mama e tórax. Só após essa análise criteriosa é possível estabelecer o diagnóstico e indicar, com segurança, o procedimento mais adequado. 

Esse processo decisório não é aleatório — ele deve seguir fundamentos técnicos sólidos. Um dos marcos conceituais mais importantes nesse contexto é o artigo clássico publicado por Maxwell e Gabriel em 2006, na Plastic and Reconstructive Surgery Journal, que estabelece os cinco passos críticos para uma cirurgia de mama bem-sucedida (Five Critical Decisions in Breast Augmentation). Esses passos são:

Avaliação anatômica completa da paciente;

Escolha da via de acesso;

Definição do plano de colocação do implante;

Seleção adequada do tipo e volume do implante;

Planejamento preciso do novo sulco inframamária.

Tebbetts JB. Aesthetic Breast Surgery: Principles and Techniques. St. Louis: Mosby; 2009.

Essa estrutura orienta todas as decisões cirúrgicas e permite que a intervenção seja não apenas segura, mas personalizada, respeitando os desejos da paciente e os limites da sua anatomia.

Conduta

Com base nessa análise, os procedimentos indicados podem ser diversos: a mamoplastia de aumento, indicada nos casos de hipotrofia ou insatisfação com volume, realizada com implantes de gel de silicone; a mamoplastia redutora, indicada nos casos de hipertrofia sintomática, com objetivo funcional e estético; e a mastopexia, indicada para os casos de ptose, com ou sem inclusão de implantes, dependendo da necessidade de volume. Em nossa prática, damos preferência aos implantes com revestimento de poliuretano, por sua maior adesão aos tecidos, menor risco de complicações como contratura capsular e excelente resultado estético a longo prazo.

Em resumo, a cirurgia mamária não é um padrão replicável em série — ela é uma decisão baseada em diagnóstico, anatomia, desejo e ciência. E é exatamente essa combinação que transforma a cirurgia em uma ferramenta poderosa de reconstrução física e emocional.

Tebbetts JB. Aesthetic Breast Surgery: Principles and Techniques. St. Louis: Mosby; 2009.

Mamoplastia Redutora

A mamoplastia redutora é uma cirurgia plástica funcional e estética, cujo objetivo é reduzir o volume mamário excessivo, melhorar a proporção entre as mamas e o corpo da paciente e aliviar sintomas físicos e emocionais decorrentes da chamada hipertrofia mamária. Ao contrário da mamoplastia de aumento, que busca projeção e preenchimento, a redutora foca no alívio da sobrecarga imposta pelas mamas muito grandes, que podem comprometer a qualidade de vida.

Para quem é indicada: A mamoplastia redutora é indicada, portanto, para mulheres com diagnóstico clínico de hipertrofia mamária, sintomática ou não, com comprometimento funcional documentado — seja por queixas musculoesqueléticas, dermatológicas ou por sofrimento psíquico refratário a outras medidas clínicas.

Além da anamnese e do exame físico, diversos critérios antropométricos e funcionais são utilizados para ratificar o diagnóstico de hipertrofia mamária, especialmente em contextos judiciais ou junto a planos de saúde. Entre os principais parâmetros aceitos estão:

Critérios morfológicos e funcionais da hipertrofia mamária:

Afundamento da musculatura supra-clavicular (conhecido como degrau da musculatura) 

Distância intermamilar (DI) superior a 35 cm;

Distância mamilo-umbigo (DMU) menor que 25 cm;

Circunferência mamária (CM) maior que 55 cm;

Circunferência torácica (CT) maior que 110 cm;

Distância entre o ombro e os mamilos (DOM) superior a 30 cm.

Esses parâmetros, aliados a relatos de sintomas como cervicalgia, dorsalgia, sulcos nos ombros pelo uso de sutiã, dermatites inframamárias e limitação para atividades físicas, reforçam o diagnóstico de hipertrofia mamária e demonstrar o caráterreparador do procedimento, além de afastar qualquer interpretação equivocada de finalidade meramente estética.

Quando esses critérios estão presentes — isoladamente ou em conjunto —, a mamoplastia redutora passa a ser não apenas indicada, mas necessária, atuando como ferramenta terapêutica com impacto direto na funcionalidade, qualidade de vida e saúde psicoemocional da paciente.

Como é realizada: A mamoplastia redutora é indicada, portanto, para mulheres com diagnóstico clínico de hipertrofia mamária, sintomática ou não, com comprometimento funcional documentado, seja por queixas musculoesqueléticas, dermatológicas ou por sofrimento psíquico significativo e refratário a outras medidas clínicas.

A cirurgia consiste na retirada do excesso de tecido mamário (gordura e glândula), pele redundante e reposicionamento do complexo aréolo-papilar, além da reconstrução de um novo formato mamário mais proporcional e funcional. A escolha da técnica cirúrgica depende do volume a ser retirado, da qualidade da pele, da posição do CAP, e da preferência e experiência do cirurgião. Entre as técnicas consagradas, destacamos:

Técnica de Pitanguy: uma das mais clássicas da cirurgia plástica brasileira. Utiliza o pedículo superior para manter a irrigação do CAP, com ressecção ampla de pele e glândula, resultando em cicatriz em “T” invertido (ou “âncora”). Permite boa mobilidade do CAP e adequada remodelação da mama, sendo ideal para casos de hipertrofias moderadas.

Técnica de pedículo inferior areolado (Torek/Elias/Ribeiro): utiliza um pedículo inferior, que mantém o CAP vascularizado por tecido mamário central. Essa técnica é especialmente útil em mamas volumosas, com maior distância da aréola ao sulco, pois preserva a vascularização mesmo em transposições longas. Permite bons resultados em termos de projeção e sustentação a longo prazo, com índice reduzido de necrose de CAP.

 

 

Mamoplastia Redutora 

A escolha entre essas abordagens — assim como entre outras variações como o pedículo superomedial ou medial — deve levar em conta o padrão anatômico da paciente, a espessura do parênquima, o grau de ptose e a expectativa em relação à cicatriz.

A mamoplastia redutora, portanto, vai muito além de uma questão estética. Ela é uma cirurgia de alívio físico, funcional e simbólico, pois permite que a paciente se reconecte com seu corpo de forma mais leve e proporcional. Quando indicada com critério, e executada com técnica refinada, ela representa um dos procedimentos com maior índice de satisfação na cirurgia plástica.

 
 
 

Em casos mais severos, nos quais o volume mamário ultrapassa os limites clínicos da hipertrofia comum, configurando o quadro conhecido como gigantomastia, a indicação cirúrgica deixa de ser apenas recomendável, ela se torna uma necessidade terapêutica urgente. A gigantomastia é uma forma extrema de hipertrofia mamária, caracterizada por um volume tão exacerbado que provoca restrições funcionais severas, podendo inclusive gerar incapacidades físicas permanentes.

Nessas situações, a mamoplastia redutora reparadora está plenamente assegurada por lei, sendo considerada de natureza reparadora e não estética, devendo ser custeado pelo plano de saúde. Isso se deve ao fato de que o peso excessivo das mamas acarreta danos estruturais importantes, como dores crônicas intensas, lesões osteomusculares, alterações posturais irreversíveis, sulcos profundos nos ombros, dermatites de repetição e até distúrbios respiratórios e de locomoção.

A jurisprudência atual, especialmente no contexto do Rol da ANS e de decisões reiteradas do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — com base em casos oriundos do ROD-MS (Relatório de Orientação da Defensoria da Saúde de Mato Grosso do Sul) — é consensual ao reconhecer que os planos de saúde devem custear integralmente esse tipo de cirurgia, desde que bem indicada e com documentação técnica apropriada. O argumento jurídico é claro: não se trata de uma intervenção estética, mas de um tratamento médico necessário para preservar a funcionalidade e a dignidade do paciente. Assim, negar cobertura caracteriza abuso contratual e ofensa aos princípios da dignidade da pessoa humana e do direito à saúde.

Sabendo disso, nosso serviço oferece não apenas o suporte médico e cirúrgico, mas também um departamento jurídico especializado, que acompanha pacientes portadoras de gigantomastia e hipertrofia mamária grave, fornecendo orientação e apoio técnico-legal com o objetivo de garantir o direito à cirurgia reparadora através dos seus planos de saúde. Nosso compromisso vai além do bisturi. É com a saúde, a autonomia e o acesso àquilo que é de direito.

Mamoplastia de Aumento

 

A mamoplastia de aumento é uma cirurgia plástica estética e reconstrutiva destinada a aumentar o volume mamário e melhorar o contorno da mama por meio da inserção de implantes de silicone. Trata-se de um procedimento tecnicamente refinado, cujo objetivo vai além da simples ampliação: busca-se harmonia tridimensional entre o volume mamário, o tórax e o biotipo da paciente, respeitando limites anatômicos e projeções naturais.

IMPLANTES MAMÁRIOS: Os implantes utilizados atualmente são compostos, em sua maioria, por um invólucro de elastômero de silicone e preenchidos com gel de silicone coesivo de alta resistência, que confere segurança, estabilidade de forma e baixo índice de extravasamento mesmo em casos de ruptura. Eles variam em formato, volume, projeção e revestimento (texturizado, liso ou de poliuretano), sendo selecionados com base em critérios objetivos e subjetivos.

Para quem é indicada: A cirurgia é indicada para pacientes com hipotrofia ou atrofia mamária — condições nas quais há desenvolvimento insuficiente do volume glandular ou perda de massa mamária em decorrência de fatores hormonais, gestacionais, envelhecimento ou perda ponderal. Em alguns casos, também é indicada como parte de cirurgias reconstrutivas (como após mastectomias) ou em assimetrias mamárias acentuadas. A hipotrofia mamária pode ser constitucional (primária), quando os tecidos mamários não se desenvolvem adequadamente na puberdade, ou adquirida (secundária), geralmente associada à involução mamária pós-amamentação, ao envelhecimento fisiológico ou à substituição glandular por tecido adiposo, fenômeno comum com a queda dos níveis estrogênicos.

Avaliação clínica do ponto de vista científico, estudos como os de Tebbetts, Spear e Hammond estabelecem que a melhor indicação da mamoplastia de aumento está na paciente com envelope cutâneo adequado, bom posicionamento do CAP e ausência de ptose significativa, cujo principal desejo é recuperar ou conquistar projeção e volume. Nesses casos, o implante tem papel central e isolado, sem necessidade de ressecção de pele ou reposicionamento glandular.  Ao contrário do que se imagina, a escolha do implante não se resume ao volume, embora essa seja, muitas vezes, a primeira preocupação trazida pelas pacientes. Na prática, a seleção do implante é fruto de uma sequência lógica e técnica de 5 passos, conforme preconizado por John Tebbetts e validado por outras referências internacionais:

Os 5 passos para escolha do implante mamário:

Avaliação da base torácica (largura): mede-se a largura do tórax e da mama, definindo a largura máxima admissível do implante, respeitando margens anatômicas como o esterno e a linha axilar anterior.

Avaliação do envelope cutâneo: analisa-se o grau de complacência da pele e a espessura do tecido subcutâneo, para definir o plano de colocação (subglandular, subfascial, submuscular ou dual plane) e o perfil do implante.

Avaliação do posicionamento do CAP e da altura do sulco inframamário: define-se se há ou não necessidade de ajuste do sulco para centralizar o implante.

Escolha do formato e perfil do implante: com base nas proporções corporais, no tipo de mama original e na expectativa estética da paciente (naturalidade vs. projeção), opta-se por formatos anatômicos ou redondos, e perfis baixos, moderados, altos ou extra-altos.

Por fim, a escolha do volume: após os critérios anteriores estarem bem definidos, determina-se o volume ideal, sempre dentro dos limites seguros e proporcionais. O volume é consequência da análise técnica — e não ponto de partida.

Revestimento: Acrescido a isso, determina-se também o tipo de revestimento do implante, o que influencia diretamente a interação do implante com os tecidos da paciente. Hoje, existem duas principais opções:

Implantes texturizados: Possuem superfície rugosa que reduz o risco de contratura capsular em comparação aos implantes lisos. No entanto, seu uso exige critério, considerando riscos específicos como os raríssimos casos de linfoma anaplásico de grandes células (BIA-ALCL), associados a certas marcas e graus de rugosidade.

Implantes com revestimento de poliuretano: São os preferidos em nossa prática. Esse tipo de revestimento oferece maior aderência ao tecido mamário, menor mobilidade, menor incidência de contratura capsular e maior estabilidade ao longo do tempo, além de reduzir o risco de rotação, especialmente em implantes anatômicos

    Essa lógica evita distorções estéticas, complicações futuras e expectativas irreais. A segurança do resultado e a longevidade da cirurgia dependem de respeito à anatomia individual e critérios técnicos rigorosos.

    Além disso, realizamos o planejamento cirúrgico com base em medidas precisas, fotografias pré-operatórias e, quando necessário, simulações computadorizadas — para garantir que a paciente entenda e participe de cada etapa da decisão. A mamoplastia de aumento, quando bem indicada e tecnicamente executada, não é apenas uma cirurgia de volume — é uma cirurgia de reconexão com a imagem corporal, autoestima e identidade feminina

 
 

Escolha doimplante: A escolha do implante mamário é um dos momentos mais críticos e determinantes da cirurgia de aumento. Embora muitas pacientes cheguem ao consultório falando em mililitros, a definição do volume é, na verdade, o último passo de um processo técnico criterioso, que considera variáveis anatômicas, características da pele, proporções torácicas e o desejo estético individual.

O primeiro passo é a medida da base torácica, que vai da linha axilar anterior até o bordo medial da mama, margeando o esterno. Essa distância costuma variar entre 12 e 13 cm em mulheres com tórax de proporção média. Pacientes com medidas superiores a 13 cm são consideradas de tórax largo, enquanto aquelas com menos de 12 cm têm tórax estreito. Essa medida define a largura máxima do implante que pode ser utilizado, respeitando os limites anatômicos para evitar laterização ou medialização excessiva da prótese.

Após essa etapa, realizamos a entrevista clínica, entendendo o desejo da paciente: naturalidade, volume, definição de colo, projeção. Com isso, voltamos à anatomia para avaliar a estrutura da base mamária, a posição do complexo aréolo-papilar (CAP) e a distância do CAP ao sulco inframamário.

Esse dado é fundamental: quando a distância do CAP ao sulco é menor do que a distância do CAP ao polo superior, existe uma tendência anatômica para mamas tubulares ou hipodesenvolvidas na porção inferior — situação em que pode haver indicação de implante anatômico (em gota), que permite maior preenchimento inferior com mais naturalidade. No entanto, na prática clínica, a maioria das pacientes apresenta maior distância do CAP ao sulco, o que favorece a utilização de implantes redondos com excelente desempenho estético. As próteses cônicas, por outro lado, têm base estreita e projeção abrupta, com indicações muito específicas — sendo pouco utilizadas na rotina.

Uma vez definido o formato, passamos para o tipo de revestimento do implante. Em nossa prática, damos preferência ao uso de implantes revestidos por poliuretano, que oferecem:

Adesão superior aos tecidos, evitando migração e rotação;

Menor risco de contratura capsular;

Menor risco de mal posicionamento em pacientes com pele fina ou leve flacidez;

Resultado estético mais estável no longo prazo.

Em casos de pacientes com revestimento tecidual espesso, pele firme e pouca ou nenhuma flacidez, os implantes texturizados também são uma opção válida — especialmente quando o desejo é por uma mama com toque mais firme e projeção definida.

O passo seguinte é a definição da projeção do implante. Esse dado é cruzado com as medidas torácicas e a distância entre o CAP e o polo superior da mama. Em geral:

Pacientes com tórax largo e distância longa do CAP ao polo superior beneficiam-se de implantes de perfil moderado, que preenchem a base sem exagerar na projeção;

Já os implantes de perfil alto e super alto são reservados para pacientes com tórax estreito, distâncias menores e para aquelas que desejam um colo marcado e com maior projeção anterior;

O perfil super alto, em nossa prática, tem indicação restrita e personalizada, pois seu uso resulta em uma mama com projeção intensa e menos naturalidade — sendo indicado quando o desejo da paciente é por um colo bem evidente, com marcação superior acentuada.

Uma observação importante: a definição do colo não depende exclusivamente da projeção da prótese, mas sim da escolha correta do implante em relação à anatomia da paciente. Uma prótese de perfil moderado, bem posicionada, pode gerar um colo superior estético e definido sem exageros.

Por fim, em relação ao plano de inserção do implante, nossa preferência técnica é pelo plano subfascial. Trata-se de um plano intermediário entre o subglandular e o submuscular, no qual o implante é inserido sob a fáscia do músculo peitoral maior, sem desinserção muscular. Essa técnica oferece uma série de vantagens:

Menor dor no pós-operatório, por preservar a integridade muscular;

Recuperação mais rápida, com menor limitação funcional;

Redução do risco de movimento do implante com a contração peitoral (algo comum nos planos submusculares);

Melhor definição do contorno mamário, especialmente no polo inferior;

Maior naturalidade ao toque, principalmente com implantes de poliuretano.

Em resumo, a escolha do implante ideal é um processo técnico, científico e individualizado. Volume, forma, revestimento, projeção e plano de colocação são decisões interdependentes, tomadas com base em medidas objetivas, experiência cirúrgica e escuta ativa da paciente. Quando esse protocolo é respeitado, os resultados são estéticos, funcionais e emocionalmente transformadores.

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